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A Mulher na Publicidade

Escrito por Ingrid Ramires 15 de Dezembro de 2017
A Mulher na Publicidade

A  falta de equidade entre gêneros e o papel da mulher no meio publicitário, tem sido um dos assuntos que tem angariado debates calorosos na internet.  E quando falo dessa falta de equidade, me refiro tanto no que se diz respeito a fazer parte do segmento criativo, como também a representatividade feminina distorcida nas próprias peças e propaganda impulsionadas na divulgação de marcas. Para entender essa discussão, basta apenas dizer o que vem a sua mente quando você pensa nessas duas palavras : mulher e propaganda.  

Não é nenhuma novidade que a imagem da mulher neste segmento, esteve por um longo período agregada ao quesito sexual. Por muito anos, agências de Marketing e Publicidade tem sido aclamadas por suas famosas propagandas machistas, enquanto, as mulheres, por sua vez, foram objetificadas, sendo aquisições aderidas ao produto divulgado. Como é o caso da campanha publicitária de cerveja "Verão", onde a moça desfila seminua de biquíni servindo latas de cerveja aos homens enquanto o mesmos observam seu corpo e a chamam pelos dizeres "Vai Verão, vem Verão". Ou até mesmo outra que foi produzida no carnaval que diz sobre "Esquecer o 'não' em casa" fazendo alusão a aceitar qualquer tipo de ação/assédio de um homem dirigindo-se a mulher, e entre muitas outras propagandas que usam a mulher como mero objeto de venda, sem valor, sendo apenas um personagem criado para representar as mesmas característica de sempre. Infelizmente esse é o cenário publicitário de algumas marcas brasileiras, que ainda colocam a figura feminina dentro de três redomas: a escrava do lar, o objeto sexual, e a única responsável pela criação dos filhos.

O fato é que, nós mulheres, ainda somos poucas no segmento referente a criação. Mas não me coloco, e nem coloco outras mulheres, como pessoas inertes a esse cenário. Nós estamos sim, tentando mudar essa realidade debatendo e agindo, juntamente com pessoas e agências (como a nossa) que verdadeiramente enxergam além do gênero: visualizando as competências. Mas, nem todas nós possuímos as mesmas oportunidades. Com todas as mudanças no contexto social atual, ainda sim, as mulheres fazem parte de apenas 10% do segmento criativo das agências, segundo o Instituto Patricia Galvão. Nessa pesquisa é relatado também que 65% das mulheres brasileiras não se identificam com as campanhas publicitárias veiculadas . O que é um paradoxo quando analisamos os dados de consumo e, vemos que 80% das decisões econômicas que sustentam todos os setores do mundo são das mulheres (dados apresentados em seminário no Festival e Cannes de 2014). 

Os tempos mudaram, porém, ainda estamos vivendo em um momento onde o machismo é disfarçado em piadas de propagandas, mas que - ainda bem - estão sendo desmascaradas e boicotadas pelo próprio público. É necessária a compreensão de que, a mulher não pode (nem deveria) ser retratada e limitada a padrões que não são nada característicos a identidade das mesmas. Até porque nós estamos inclusas nos mais diversos meios e segmentos, seja tomando decisões, fazendo a economia girar, administrando empresas, na área cientifica, no meio acadêmico, nas comunicações, no jurídico, na saúde, sendo solteira ou casada, cuidando do lar, ou não, com filhos ou sem filhos, e por aí vai... Isso comprova que nós não somos um público homogêneo. Assim como os homens também não podem ser restritos a um só tipo de segmento, pois ele estão inseridos em vários. 

E a situação é tão crítica que segundo o site Estadão, duas organizações internacionais foram criadas para conquistar voz e espaço para a mulher na publicidade, She Says (“Ela Fala”, da Inglaterra) e The 3% Conference (“A Conferência dos 3%”, dos Estados Unidos – nome dado devido a somente 3% dos diretores de criação das agências de publicidade americanas serem mulheres). 

As discussões sob o cenário publicitário e a mulher vão muito mais além do que considerar a quantidade de mulheres que compõe uma equipe criativa ou não. Não se trata de supremacia de gênero, se trata de direitos humanos e quebra de paradigmas.  Discorre sob a falta de respeito e a desvalorização. Fala sobre a defasagem no segmento criativo de algumas agências que precisam desrespeitar um gênero, a cor, e forma física de uma pessoa para poderem conquistar audiência em suas campanhas. E é aí que o erro entra. Diminuir pessoas e suas capacidades para conseguir curtidas, cometários e views, é realmente um tipo de publicidade discrepante e o resultado é sempre um retorno negativo. A identidade que se cria de uma marca que tem o propósito de desvalorizar pessoas e torna-las alvos de inferiorização, é uma identidade de acepções e preconceitos. A falta de inclusão gera afastamento. 

Para encerrar o artigo, deixo aqui um vídeo da campanha #LikeaGirl (#TipoMenina em português) da Always. A marca de absorventes propôs em uma de suas campanhas, a desconstrução de alguns esteriótipos que colocam sob a figura feminina, pregando que  as garotas nunca devem deixar que sua segurança seja abalada por puro sexismo: 

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